Jornal da Liberdade saiu a ruas perguntando a população do
bairro oriental da Liberdade o que mudou durante os nove meses
da nova administração municipal e a maioria dos entrevistados
concordam que a situação não melhorou em relação aos
últimos meses da caótica administração do prefeito Celso
Pitta. A pesquisa foi realizada nos dias 1 e 2 de outubro com 50
entrevistados, entre moradores, comerciantes e pessoas das mais
diversas classes sociais que transitam/visitam a Liberdade e em
comum, muitos apontaram os mesmos problemas: sujeira nas ruas e
calçadas, o alarmante crescimento de ambulantes, indigentes e
meninos de rua e a degradação dos monumentos públicos. A
pesquisa também quis saber dos entrevistados o que a Liberdade
tem de melhor e pior, e neste último item, os piores problemas
apontados esbarram diretamente em problemas sociais que se
interagem com o abandono do bairro. Selecionamos algumas
respostas da pesquisa que serão expostas a seguir.
"Sou comerciante no setor de restaurante
na Liberdade há 22 anos e a sujeira em que se encontram as ruas
e calçadas do bairro é lamentável. Os ambulantes e indigentes
espalham sujeira por todos os cantos e o problema se agrava com
a colocação de lixo após o horário. Muitos donos de
restaurantes dão este mal exemplo e os sacos contendo sobras de
alimentos são alvos de cachorros e indigentes que espalham a
sujeira pelas calçadas. O odor atrai muitos insetos e os riscos
de queda de transeuntes são iminentes. Tenho perdido clientes
por esses motivos e a Prefeitura deveria jogar pesado com esse
pessoal que emporcalha a Liberdade e mexer na parte mais
sensível do ser humano: o bolso", declara Yukio T.
Yamamoto, comerciante da Rua da Glória. Os carroceiros que
jogam entulhos nas ruas e praças também foram citados no
aspecto limpeza urbana, assim como os esforços que a Prefeitura
realizou no início do ano desobstruindo várias bocas de lobo,
pintando guias e retirando propaganda irregular dos postes e
muros.
Quando o assunto é ambulante as opiniões se
dividem. "Agora para andar nas calçadas da Liberdade é
necessário pedir licença para os camelôs porque eles estão
espalhados por todos os lugares, principalmente nas adjacências
da Praça da Liberdade e estações de metrô. Eles não
respeitam limites, não tem noções de higiene e limpeza e
comercializam tudo o que a imaginação permitir. Não consigo
compreender com tantos abusos e mercadorias de procedências
duvidosas porque as autoridades não tomam providências. Será
que a Máfia dos Fiscais ainda continua agindo na
região?", comenta indignada Rejane Silva Nascimento,
enfermeira que trabalha na Rua Galvão Bueno. "Os camelôs
são frutos do problema econômico que o País está vivendo e
não será à base da pancadaria e polícia que o assunto será
resolvido. Que eles atrapalham isto é verdade, mas muitos pais
de família dependem desse trabalho para se manterem",
ressalta a dona de casa Maria Bernadete Rodrigues, moradora da
Rua São Joaquim.
O
crescimento de indigentes e meninos de rua nos últimos meses na
Liberdade preocupa os moradores, é o caso da encarregada de
departamento pessoal, Sônia Y. Nishio que mora nas proximidades
da Praça Dr. Almeida Jr. "Todos os dias pego o ônibus
Vila Ema neste local e fico horrorizada com tanta sujeira e
abandono desta praça que se constitui na única área verde da
Liberdade. Os indigentes vivem embriagados brigando entre si,
praticam pequenos assaltos e estão degradando o que ainda resta
de verde no local com suas fogueiras acesas para cozinhar os
alimentos e esquenta-los do frio. Eu já reclamei várias vezes
na Regional da Sé que ficou de tomar providências, mas parece
que este assunto não tem a mesma prioridade que os da região
dos Jardins, onde mora a prefeita" indaga Sônia. O
comerciante da Praça da Liberdade, Ho Kim Doo mal fala o
português e numa frase traduz o sentimento com relação aos
meninos de ruas que vivem drogados e praticam delitos na área.
"Isto é vergonha né. Não pode continuar assim".
A degradação do patrimônio público
também foi lembrado como um dos piores problemas que o bairro
enfrenta. Das 50 pessoas entrevistadas na pesquisa, 14
manifestaram preocupação com relação as lanternas Suzuranto,
o Torii e casarões históricos que estão prestes a cair.
"Participei recentemente de uma reunião na ACAL para
tratar da restauração do patrimônio da Liberdade, mas o que
eu vi não passa de um mero financiamento a juros subsidiados
para comerciantes reformarem suas fachadas. E as calçadas
esburacadas, as lanternas Suzuranto e o Torii, também são
obrigação dos comerciantes reformar. E onde entra a Prefeitura
nesta história toda", queixa-se o agente de turismo da Rua
Galvão Bueno, Ricardo N. Nakajima.
Quando a pergunta foi o que a Liberdade tem
de melhor, as respostas por ordem de votação foram: a rica e
diversificada gastronomia; as festas culturais; a Feira da
Praça da Liberdade; as mercearias que vendem produtos orientais
e o convívio pacífico de várias raças. No quesito, o que a
Liberdade tem de pior, veio por ordem de votação: sujeira nas
ruas; ambulantes, indigentes/meninos de rua; prostituição
noturna e falta de segurança. Até quando as autoridades vão
fazer vista grossa aos problemas, este é o sentimento percebido
em todos os entrevistados.