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Editorial

Conflito iminente

A movimentação de tropas americanas no Golfo Pérsico para um iminente ataque ao Afeganistão deixa uma expectativa muito grande com relação ao conflito que pode se alastrar pelo mundo. Essa região é tradicionalmente conhecida como um barril de pólvora e o fanatismo religioso são os estopins. Justamente nesse local os americanos esperam encontrar e punir os supostos responsáveis pelos atentados suicidas em Nova York e Washington, e para isto, estão utilizando todas as armas que dispõem, inclusive perdoando dívidas de países endividados que representem pontos estratégicos para o ataque ao Afeganistão, distribuindo alimentos a populações miseráveis e famintas, ou ainda, suspendendo sanções impostas há mais de uma década a Índia e ao Paquistão. As sanções comerciais, econômicas, além de vendas de produtos militares e de alta tecnologia, e o apoio para os empréstimos do Banco Mundial impostas pelos americanos a estes dois países, ocorreram após testes nucleares realizados no início dos anos 90. Nesta mesma época a França também realizou testes nucleares em uma ilha do pacífico, considerada santuário para várias espécies da fauna e flora marinha, mas nem por isso deixou de ser o grande parceiro dos americanos.

A guerra do bem contra o mal está declarada e mais uma vez a arrogância americana se coloca ao lado do bem e conclama a todos os países do mundo a aliarem a seu favor. Até o Irã, país devastado por armas químicas pelo Iraque que recebeu apoio bélico e financeiro dos americanos, foi convidado a combater o mal estereotipado no Afeganistão com promessas de reativação das relações comerciais e diplomáticas. Isto evidencia que os americanos não têm amigos ou inimigos no mundo, mas sim interesses a serem preservados. O papel de mediador da ONU – Organizações das Nações Unidas é deixado de lado e para os americanos só interessa represálias ao terrorismo que supostamente está localizado no Afeganistão, um dos países mais miseráveis do mundo que tenta se reerguer dos dez anos de ocupação e aniquilamento dos soviéticos.

A situação é preocupante e exige cuidados em razão do Golfo Pérsico ser tradicionalmente uma região de conflitos e grande produtora de petróleo, e numa economia globalizada, nenhum país do mundo ficará imune às mazelas do conflito. Soma-se isto, o temor de novos atentados aos países que apoiarem à ação americana em razão do elevado número de armas químicas e nucleares disponíveis no mercado negro, assim como o fanatismo religioso existente no Afeganistão que diz ter 300 mil combatentes mobilizados para rechaçar as represálias americanas. Os próximos dias poderão ser cruciais e começar a definir novos rumos da economia, do poder mundial e distanciar ainda mais a tão sonhada paz no mundo.

Edgar J. Oliveira